Original Article: Why Classical Education?

Author: Escondido Tutorial Service

Por que Educação Clássica?











Esta conversa tentará responder três questões: o que é educação clássica, por que ela é necessária em nosso tempo e quais são seus benefícios?

A palavra “clássica” ou “tradicional” é usada em muitos contextos e frequentemente sem um significado específico: Coca Tradicional, música clássica, rock clássico; contudo, tradicional normalmente significa algo que através do tempo e por várias razões se mostrou digno de nosso respeito e interesse. Na música, o trabalho de certos compositores foi reconhecido como válido de manter enquanto que de outros, apesar de popular em seu tempo, foi deixado de lado na lixeira da história. O mesmo é verdade para livros; alguns livros são mais dignos de estudar do que outros por causa da profundidade e clareza com as quais expressam as ideias que contém.

O estudo de grandes livros têm sido a base da boa educação por séculos. Se você olhar para os livros lidos por gigantes intelectuais da nossa cultura, você percebe que há livros específicos que voltam vez e outra. Esses livros eram obrigatórios para a maioria dos alunos até a ascendência de Dewey e a democratização da educação através do sistema de ensino público. O sistema de ensino público viu esses livros como elitistas e de difícil compreensão das massas e, portanto, não apropriados para educação pública.

Outra influência de contribuição para o desaparecimento de grandes livros foi a desmoralização da comunidade intelectual cristã. A maioria das instituições de aprendizado neste país foram fundadas pelos cristãos que viram como seu dever conquistar o campo intelectual para Cristo. Contudo, desde o crescimento do secularismo e, especialmente, desde a derrota humilhante que os cristãos bíblicos viram no Julgamento de Scopes, a comunidade evangélica esteve em recuo total do campo intelectual. Antes da virada do século, grande parte das instituições de aprendizado foram dominadas por aqueles que pensaram uma visão de mundo bíblica; no entanto, esse consenso rapidamente começou a desmoronar e, em 1925, no Julgamento de Scopes, através da humilhação pública do criacionismo de William Jennings Bryan, o meio acadêmico, assim como a cultura geral, veio para sustentar o cristianismo bíblico como indigno de respeito intelectual. Apesar de o julgamento não ter sido, de maneira alguma, um debate rigoroso do problema da criação, o seu efeito na comunidade intelectual cristã não foi nada menos que desastroso. Desse ponto em diante, os cristãos sentiram como se a comunidade intelectual os tivesse humilhado e, para retornar o favor, eles abandonaram a comunidade intelectual em massa. A busca intelectual veio a ser vista como não apenas de pouco valor para os cristãos, mas também como absolutamente antagônica para a fé. Neste momento na história, a igreja viu um desvendamento da tradição intelectual cristã. Cristãos não mais aplicariam-se ao estudo de grandes pensadores; isso seria uma tarefa deixada inteiramente para aqueles com uma visão de mundo não cristã.

A educação cristã tornou-se algo como uma ciência perdida. Não apenas os cristãos fizeram muito pouco para preparar suas crianças a se tornarem intelectos piedosos, mas a incompetência intelectual foi vista como uma verdadeira ajudante da vitalidade espiritual. Uma mente gentil é vista como ferramenta vital na busca de um coração gentil. Em nossos dias, a rigorosidade mental e uma busca intelectual vigorosa tornaram-se equiparadas com a rigidez doutrinal e espiritualidade fria.

Todavia, pela graça de Deus, com o aumento de interesse na educação clássica, nós estamos vendo um ressurgimento da tradição intelectual cristã. A educação clássica difere da maioria das filosofias de educação ao passo que tenta recuar do desfile de teorias educacionais que parecem nos manter em um estado de contínua perplexidade e perguntas, “Como era a educação no passado? Quais livros eram usados? Que objetivos eram considerados importantes?”

Dorothy Sayers, em seu ensaio bem conhecido “As Ferramentas Perdidas do Ensino”, tentou responder essas questões e, ao fazê-lo, nos deu alguns conselhos bastante sábios para a educação nos dias atuais. Ela começou investigando o modelo medieval de educação e encontrou que este era composto por duas partes; a primeira era chamada Trivium e a segunda, Quadrivium.

O Trivium continha três áreas: Gramática, Dialética e Retórica. Cada uma dessas três áreas eram especificamente adequadas aos estágios de desenvolvimento mental da criança. Durante seus anos iniciais, uma criança estuda a parte Gramática do Trivium. O período da Gramática (idades de 9 a 11) inclui uma grande quantidade de linguagem, preferencialmente uma língua antiga, como Latim ou Grego, que irá exigir que a criança passe uma boa parte de tempo aprendendo e memorizando seu vocabulário e estrutura gramatical. Durante seus anos mais jovens, as crianças possuem uma grande habilidade natural de memorizar grandes quantidades de material, mesmo que possam não entender seu significado. Este é o tempo para enchê-las de fatos, tais como a tabela de multiplicação, geografia, datas, eventos, classificação de plantas e animais; qualquer coisa que seja de fácil repetição e assimilação pela mente.

Durante o segundo período, o período Dialético (idades de 12 a 14), a criança começa a entender o que aprende e começa a usar sua razão para fazer perguntas com base na informação que reuniu no estágio da Gramática. É durante este estágio que a criança não mais vê os fatos que aprende meramente como pedaços de informação, mas começa a colocá-los junto em relações lógicas e fazer perguntas. Não mais a Revolução Americana é apenas um fato na história, mas deve ser entendida no contexto de todo o resto que a criança aprendeu. Por exemplo, como entendemos as ações dos patriotas americanos à luz do que sabemos sobre nossa responsabilidade de obedecer as autoridades do governo? Como pode o fato de Washington e Jefferson serem ambos reconhecidos como grandes homens e serem reconciliados com o fato de que eram proprietários de escravos?

Quando uma criança chega na idade para raciocinar, ela normalmente coloca sua racionalidade em uso ao causar incômodo por responder à seus pais ou tentar pegá-los em algum erro ou falácia, mas durante este período, as novas habilidades da mente jovem deveriam ser direcionadas aos exercícios mentais proveitosos. A lógica formal e as provas da geometria podem ser de grande ajuda durante esse tempo, para que o estudante aprenda as regras que guiam o pensamento ajuizado. Há muitas áreas que podem ser usadas para fornecer bom material de prática para a mente jovem. A história fornece muitos eventos que envolvem questões de moralidade as quais requerem uma boa discussão e raciocínio cuidadoso a ser trabalhado. A teologia também dá muitas oportunidades para debate; apesar de que nossa discussão deve ser experimentada com reverência à questão da matéria assim como de nossos oponentes, fundamentalmente, nós podemos ver o debate teológico como uma atividade bastante saudável e benéfica. Uma área menos controversa é a matemática; por milhares de anos o texto de geometria escrito pelo antigo matemático grego Euclides fornece uma série formosamente construída de provas geométrica que, com orientação, qualquer criança perceptiva pode trabalhar com grande benefício às suas habilidades de raciocínio.

O terceiro período que Sayer menciona é a Retórica (idades de 14 a 16). Durante este período, a criança move-se de meramente compreender a sequência lógica dos argumentos a aprender como apresentá-los de maneira persuasiva e esteticamente agradável. Dorothy Sayers também chama este período de Idade Poética, porque, durante ele, o estudante desenvolve a habilidade de organizar a informação que aprende em um formato bem racionado que irá ser ambos satisfatório e lógico. Durante esse período, o aluno pode começar a se especializar em áreas particulares de interesse e é equipado a continuar ao Quadrivium, que envolve a especialização em determinadas áreas de estudo. Neste momento, os estudantes que estão mais inclinados a matemática ou ciência ou literatura e ciências humanas podem buscar a área de suas habilidades naturais. A procura de assuntos determinados é apropriada neste momento porque eles foram dados as ferramentas de aprendizado que são necessárias para o estudo de qualquer matéria. Nesse estágio, um aluno que foi dado uma educação clássica teria as habilidades de raciocínio e disciplina mental que são necessárias para enfrentar as dificuldades associadas com praticamente qualquer área de estudo.

Por que a Educação Clássica Cristã é Necessária Hoje

Na educação moderna, nós colocamos o carro proverbial antes do cavalo ao esperar que os alunos dominem um grande número de matérias antes de terem dominado as ferramentas de aprendizado. Mesmo que o estudo de línguas e lógica possa parecer chato por si mesmos, eles são ferramentas necessárias para desenvolver a capacidade de abordar a tarefa de dominar qualquer matéria específica, quer seja história política escocesa ou manutenção de carburadores. Sayers terminar seu ensaio com essa frase, “O único verdadeiro fim da educação é apenas esse: para ensinar os homens a aprenderem por si mesmos, e tudo que a instrução falhar em fazer é esforço feito em vão.”

“Aprendendo a aprender por si mesmo” certamente resume bem a meta pedagógica da educação clássica; contudo, uma vez que alguém consiga aprender por si mesmo, para onde ir então? Outro truísmo educacional é prestativo, “A educação é meramente vender livros a alguém.” Ser capaz de aprender por si mesmo não significa que você não irá mais precisar de um professor, mas ao invés disso, você é capaz de entender livros sem o auxílio de um instrutor para explicá-los a você. Em nossos dias, parecemos ficar bastante impressionados pelo número de anos que alguém passou em instituições acadêmicas adquirindo diplomas. Contudo, os antigos provavelmente teriam pensado que nossas instituições devem ser bem pobres visto que após tantos anos eles não tinha produzido estudantes capazes de aprender independentemente. Um aluno ainda precisar de um instrutor para explicá-lo o que está lendo mostra um triste nível de dependência intelectual. Parecemos pensar que a adolescência intelectual deve ser prolongada indefinidamente antes de garantir um jovem escolar o direito de ser autônomo. O fato de que você deixa a instituição acadêmica não deveria ser um sinal que a sua educação chegou a um fim, mas deveria mostrar que você está pronto para que ela comece.

Para isso, precisamos perguntar “Quais livros são dignos de professores?” A resposta para essa questão geralmente está no que estamos tentando aprender; entretanto, se estamos meramente perguntando no geral “Quais são os verdadeiros grandes livros?”, encontramos que há, na verdade, um amplo acordo na resposta à essa questão. Há livros que através da história mostraram valor duradouro. Com a Bíblia temos um cânon que inclui aqueles livros que Deus direcionou a igreja através de Seu Espírito a reconhecer como confiáveis; então juntamente com grandes livros, há um cânon de variedades. Através do tempo, certos livros geralmente passam a ser vistos como centrais para o desenvolvimento da cultura ocidental e tiveram um impacto amplo devido à profundidade e eloquência com as quais eles expressam suas ideias. Esses livros formam o miolo da tradição intelectual ocidental; são as ideias contidas neles que formaram a saga que nós conhecemos como história ocidental.

Qualquer um que tenha crescido no ocidente e deseja entender o ambiente cultural no qual cresceu deveria ler esses livros. Em vista de tornar-se consciente de si mesmo e entendedor de ideias que moldaram a cultura a nosso redor, nós precisamos encarar as ideias na fonte de onde vieram. Francis Schaeffer tinha um senso excelente para o fluxo de ideias do começo ao fim. Ele era um apreciador de explicar como as ideias começaram com os filósofos, trabalhando através das universidades, até a mídia popular e, finalmente, na mesa do jantar. Porque as ideias avançam dessas maneira, cabe a nós tornamo-nos familiar com as ideias em suas fontes para que possamos entender suas manifestações na nossa cultura no presente. Desta forma, a leitura de grandes livros serve como uma importante função apologética para cristãos; os livros nos permitem lutar com as ideias que moldaram o pensamentos daqueles a nosso redor que somos solicitados a ministrar como evangelistas.

Frequentemente quando eu descrevo o estudo de grandes livros como uma ferramenta na apologética, as pessoas visualizam seu estudo como algo parecido com uma brutal manopla secular que os cristãos devem comandar para ganhar credibilidade intelectual. Isso é um erro compreensível. Certamente há muito na tradição intelectual ocidental que deve ser rejeitado conscientemente e posto sob criticismo bíblico; no entanto, são os não crentes e não os cristãos que devem temer a leitura de grandes livros. Aqueles que através da promoção de correção política nos retornariam ao paganismo politeísta realizaram que eles devem jogar fora inteiramente o estudo da cultura ocidental se eles vão remodelar o pensamento de nossos estudantes. O pensamento ocidental foi permeado com o monoteísmo cristão e, assim, um conceito persistente de verdade objetiva e universal. Sempre será um território perigoso para as lesmas mentais que a correção política levantaria em sua dieta de relativismo insípido.

Certamente o estudo de grandes livros não deveria ser considerado leve. Há sérias dificuldades a fé de uma pessoa que ficam a espreita; contudo, estudar através dos grandes livros normalmente é como uma jornada cheia de problemas de cristãos no Progresso de Peregrino; na hora em que tudo parece perdido e que a escuridão está vindo de certeza, um autor que é um amigo da fé vem ao seu lado e ajuda a guiá-lo de volta ao caminho da verdade. Para cada Aristóteles, há um Agostinho; quando você está na agonia de um cético Descartes, a brilhante fé de Pascal vem ao seu auxílio; quando sob ataque de Hume, você tem um amigo em Calvin; quando cercado por Kant, você revida com Lewis. Deus em seu cuidado providencial nos deus um número abundante de vozes que permaneceram no vácuo de períodos cruciais da nossa história e falaram por Sua verdade. Os homens que Deus pôs para falarem Sua verdade à nossa cultura são testemunhos ao tremendo cuidado com o qual Ele guia o Ocidente.

Vivemos numa contínua história ocidental. Em vista de avaliar essa corrente da qual somos parte, devemos recuar dela e discernir as ideias que a moldaram. Tentar ignorar as ideias que moldaram a nossa história cultural é garantir a nós mesmos não apenas irrelevância cultural, mas também consolidação no gueto cristão. Esta posição não apenas irá levar a nossa própria pobreza intelectual, mas também irá infamizar o Deus Soberano que precisa não ser caçoado na covardice de Seus filhos. Os filhos do Rei não se escondem nos becos, mas caminham confiantemente sabendo que o sol que brilha pertence ao seu Pai.

Os Benefícios de uma Educação Clássica Cristã

Eu gostaria de apresentar a você os benefícios de uma educação clássica cristão. Pensei que entendia esse tópico, mas como continuo nesse caminho, ele continua a revelar riquezas a mim que eu não havia previsto. Meu interesse inicial na educação clássica cristã foi o desejo de ajudar jovens mentes cristãs a entender o fluxo da história, seus efeitos no nosso dia e como nós deveríamos responder efetivamente aos críticos da nossas fé na sociedade – uma apologia efetiva. Contudo, conforme o tempo passa, tenho percebido que uma educação clássica não apenas permite entender o passado, mas também dá uma ótima ajuda em entender e viver no presente. Costumava pensar que os temas em comum focados nos grandes trabalhos da literatura eram melodramáticos e distantes da nossa experiência diária. Os jovens podem perguntar-se, “Com que frequência nós experienciamos guerra, casamento, morte, conflito familiar, luto, a inépcia da justiça, a confusão da verdade e falsidade? Não são tais temas desconhecidos e fardos muito pesados para mentes jovens?” Ainda assim, se desfiarmos a tapeçaria da vida, encontramos a trama feita apenas de tais materiais. Não levou muitos anos para eu ver na vida que devemos encarar a morte. Devemos enfrentar a decepção mesmo daqueles que procuramos por segurança e boa orientação.

Nossa geração de mídia gostaria de esconder de nós as realidades da vida ou, pelo menos, nos convencer de que a totalidade do significado da vida pode ser encontrado numa sequência de imagens reluzindo diante de nós em cores de alta resolução em uma tela plana. Temos uma geração que quer que o aprendizado venha através da diversão – ainda que a voz de Ésquilo repreenda-nos quando ele diz que devemos “sofrer dentro da verdade”. Entretemos nossas mentes à morte e então encontramo-nos confusos quando nossos jovens descobrem a verdade ser uma inconveniência supérflua impedindo a busca deles da despreocupação e alegria da vida.

Ainda assim, o que irá nos sustentar quando segurarmos nossos primogênitos no colo? A imagem de um Deus abençoado tentando em vão nos arranjar uma vida agradável realmente conforta? Quando vier, estaremos tão chocados pela tragédia que devemos recuar da vida e temer tal perda de vir até nós novamente? Fomos ditos que tragédia e luto não devem ser inesperados e quando encontrados, melhor serem escondidos em vista de manter a ilusão de que a vida não contém tais fardos?

Por que é que nós modernos temos tanta dificuldade em ver que a vida vem com um véus de lágrimas? Os últimos cem anos viram mais guerra e crueldade que qualquer outro século até agora e ainda assim, alguém pode pensar que nós proibimos a memória do passado. Um evento não existe a menos que nós estejamos assistindo-o no noticiário das seis? Se não aconteceu comigo, eu penso que nunca irá? Jesus por si mesmo pranteou em luto pela perda de Seu amigo Lázaro. Repetidas vezes, Deus exortou os israelenses a lembrar. Eles foram rápidos em esquecer os grandes trabalhos das mãos de Deus e as necessidades poderosas que trouxeram-os fora de seus tormentos no deserto. Quando não lembramos, não vemos o inteiro da vida, mas criamos uma visão de mundo que é puramente o produto da nossa própria fantasia.

Uma educação clássica nos faz encarar o que não é nossa experiência imediata. Nos força a olhar a vida em toda sua complexidade. Apesar de a educação clássica dar a um estudante as ferramentas de aprendizado que são fundamentais para o pensamento lógico, uma educação clássica não é apenas sobre desenvolver pensadores desobstruídos. Uma educação tradicional também dá ao aluno a oportunidade de desenvolver a profundidade de entendimento e vastidão de experiência que são fundamentais para a verdadeira sabedoria. O medo do Senhor é o começo da sabedoria, mas isso não significa que devoção estritamente definida é a soma total da sabedoria. Frequentemente dizemos a nós mesmos que a sabedoria é a aplicação de princípios morais à experiência cotidiana. Esta noção reduz a sabedoria a um tipo de moralidade aplicada, contudo, devemos entender a plenitude do conceito bíblico de sabedoria. O conceito bíblico de sabedoria é muito mais amplo do que nosso entendimento usual do que a sabedoria contém. Considere Isaías 28:27-29 “Porque o endro e o cominho não se debulham com instrumentos de pontas afiadas, nem passa sobre eles roda de carro; pelo contrário debulha-se o endro com uma vara e o cominho com um pedaço de pau. O trigo é esmagado para se fazer o pão, por isso o lavrador não fica debulhando para sempre e nem o esmagando com a roda do seu carro e com os seus cavalos. Isso tudo vem da parte do Senhor dos Exércitos, que é maravilhoso em conselho e magnífico em sabedoria.” Agora, por que o profeta Isaías pensa que instruções detalhadas para fazer pão são um testemunho tão maravilhoso para as profundezas da sabedoria do Senhor? Fazer pão não é apenas “sabedoria mundana” – necessário, mas não realmente importante? Se essas são questões que naturalmente vem à mente quando escutando tal passagem, escute novamente e pegue uma mente espiritual. Provérbios 6:6-8, “Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não tem nem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento.” Podemos pensar que ser sábio significa ser tão espirituoso que podemos deixar tais detalhes do tipo quando plantamos nossas sementes receber apenas a mínima atenção. Provérbios nos exortam ao contrário. A sabedoria divina requer que nos apliquemos a um entendimento do mundo e de seu jeito. Considere Eclesiastes 8:1 “Somente os sábios conseguem explicar as coisas. A sabedoria de uma pessoa brilha no seu rosto e a torna simpática mesmo que seja feia.” Parece uma noção estranha um avanço importante na sua aquisição de sabedoria? Se sim, eu desafiaria você que a sua divisão entre sabedoria mundana e divina é, na verdade, pouco espiritual.

Se verdadeiramente acreditamos que o mundo em que vivemos foi feito pela mão de Deus, então experienciar e entender esse mundo deve ser visto como um aspecto vital para adquirir a sabedoria de Deus. Mesmo o próprio luto deve ser visto como um dos meios que Deus nos ensina. Eclesiastes 7:3-4, “A tristeza é melhor do que o riso; pois a tristeza faz o rosto ficar abatido, mas torna o coração compreensivo. Quem só pensa em se divertir é tolo; quem é sábio pensa também na morte.” Toda a vida deve ser vista como o livro do qual aprendemos a mente de Deus. Deus foi misericordioso de nos dar as escrituras como um guia neste processo de manter nossas mentes de ser tomadas pela vastidão do que eles devem aprender.

Como este amplo entendimento da sabedoria se liga a necessidade de uma educação clássica? Foi sabiamente dito que ler é experiência de vida acelerada. Poderíamos aprender inteiramente de nossa própria experiência, mas este caminho é lento e repleto de lições dolorosas. Ler nos permite aprender da experiência de outros. Se estamos vendo a leitura com tanta importância, devemos nos perguntar quais livros deveríamos ler. Deveríamos encontrar esses livros que olharam mais atentamente para a vida humana e irão nos guiar em direção ao questionamento das perguntas importantes.

Antes de dizer mais sobre quais livros nos ajudam a desenvolver experiência de vida, gostaria de abordar uma questão comum referente à leitura de grandes livros. Muitos perguntam o por quê nós precisamos de uma educação clássica quando poderíamos exclusivamente estudar as escrituras. A questão é compreensível visto que se abandonamos o estudo das escrituras, corremos o perigoso risco de desenvolver pensamentos que são desinformados da verdade de Deus. Por outro lado, se não estudamos o mundo, ambos passado e presente, iremos ler as escrituras sem o contexto que Deus escolheu falar através. Quanto mais estudamos o mundo e a Bíblia, mais iremos entender ambos. Não nos deixe confundir a Bíblia, que é a norma de conhecimento, e o mundo, que é o estágio onde realizamos a busca do conhecimento.

Em contraste com o cristianismo, muitas religiões são baseadas em livros que são apenas coleção de moralismos que não exigem contexto ou compreensão histórica. Em Sua soberania, o Deus da Bíblia escolheu revelar a Si mesmo no contexto da plenitude do tempo. Porque Deus escolheu invadir o tempo e o espaço, Ele produziu uma relação complexa e envolvida com a história secular. Uma religião moralista pode nos fazer pensar que o estudo da história, apesar de ser um hobby interessante, não é verdadeiramente essencial para a vida religiosa. Na Bíblia encontramos uma situação bem diferente. Para compreender plenamente os livros bíblicos Daniel e Esther, você irá precisar ler o historiador grego Heródoto. O apóstolo Paul cita poetas gregos antigos e Peter cita escritos apócrifas de judeus. Esses poucos exemplos mostram que a Bíblia não pode ser lida sem ver seus laços com a história na qual foi revelada. A Bíblia nos aponta em direção a si mesma como nossa autoridade final, mas também assume que quando a lemos, sabemos o contexto no qual fala. Se não estudamos história, corremos o risco de tornar a Bíblia em uma mera coleção de moralismos dos quais derivamos orientação cotidiana para nossas vidas.

Deus não é um moralista distante que simplesmente nos deu uma lista de preceitos a serem seguidos e então nos enviou no caminho esperando que fossemos seguí-lo. Ele é o Senhor soberano que é intimamente envolvido no fluxo completo da história. Se nossos próprios passos estão de acordo com Seu plano, as reviravoltas da história também não são de Seu projeto? Quando autores criam uma história, eles colocam seus pensamentos em papel e caneta, quando Deus escolheu escrever Sua história, Ele escolheu como seu suporte, o tempo e o espaço. Nossas tentação é ver a expansão da história como um reino dentro do qual a mão de Deus é apenas vagamente vista. Há pecado no mundo e muito do que vemos vai contra a lei de Deus, mas isto não deveria nos fazer pensar por momento algum que a vontade Dele não está sendo realizada ou que a providência Dele não está presente. No nosso tempo, tendemos a ter uma apreciação saudável do fato de que quando estudamos matemática, geologia, química, física – as várias ciências naturais, estamos estudando o trabalho da mão de Deus. Ainda assim, devemos também entender, quando lemos Heródoto, Tudídides, Gibão, Shakespeare, Platão ou mesmo Spinoza, estamos estudando o que o trabalho da mão de Deus nos trouxe.

C.S. Lewis notou que a maior dificuldade enfrentada em convencer os modernos da verdade da ressurreição histórica de Cristo não foram os argumentos intelectuais contra ela, mas o senso que muitos modernos têm que além da curiosidade ociosa, toda a história não tem uma relação significante com eles. É quase como se pensássemos que apenas o presente existe e a história é apenas uma miragem ambígua. Em contraste, Agostinho, o primeiro teólogo da igreja, escreveu suas Confissões como um exercício em memória santificada – relembrando sua vida em vista de ver a mão de Deus trazendo a ele a salvação. Ele manteve a memória para ser tão crucial para a vida cristã, passou um capítulo inteiro no fim das Confissões discutindo sua natureza.

Se desejamos criar uma geração de jovens cristãos que agarram-se firmemente à verdade de sua fé, não devemos esquecer de exorta-los a estudar e lembrar o que o Senhor fez. Os trabalhos desses autores que olharam de perto a vida humana e tentaram dar expressão a seus mistérios mais profundos fornecem nossas melhor oportunidade de desenvolver a experiência na qual a sabedoria pode lentamente criar raízes.

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